Gestão de empresa familiar: conheça os 7 maiores desafios

Pressionada por relacionamentos que misturam o pessoal e o profissional, a gestão de empresa familiar é um desafio um pouco diferente de outros modelos de sociedade.

Quando os sócios de um negócio compartilham laços de sangue, as disputas de interesse na organização passam dos limites das salas de reunião e chegam até a sala de jantar.

No Brasil, mais de 90% dos negócios realizados são de empresas familiares.

Mas, apesar de ser um modelo comum, a maior parte delas deixa de existir muito antes de chegar às mãos dos herdeiros.

Segundo o IBGE, apenas 30% das empresas familiares sobrevivem até a segunda geração e só 5% chegam até a terceira.

No entanto, é possível evitar essa morte prematura e fazer com que o negócio resista à sucessão familiar: neste artigo, explicamos os 7 maiores desafios das empresas familiares e como lidar com eles. Boa leitura!

1. Separação entre sócios e gestores

Esse é, talvez, um dos principais desafios em uma empresa familiar.

É comum que, nas etapas iniciais, um negócio de família comece com muitos colaboradores que são ao mesmo tempo sócios, parentes e gestores.

Mesmo que exista uma hierarquia corporativa e uma matriz de responsabilidades bem definida, é provável que as decisões entre esses líderes entrem em conflito, complicando a administração do negócio.

O problema só aumenta quando as próximas gerações assumem papéis na empresa, muitas vezes multiplicando o número de “donos” na operação.

Por isso, é fundamental estabelecer uma governança corporativa bastante minuciosa, que esclareça bem a diferença entre aqueles que são efetivamente gestores e os que ocupam apenas o papel de sócios e proprietários da empresa.

Dessa forma, os diretores e gestores, que podem ou não ser parte da família, prestam contas para os acionistas, mas com autonomia em seu trabalho, como em uma empresa comum.

2. Sucessão do negócio

Outro desafio comum em empresas familiares envolve a sucessão do negócio.

Normalmente, os problemas já começam após o fundador “passar o bastão” para a segunda geração, e podem se agravar quando chega a vez da terceira, que já é mais numerosa e não compartilha laços tão próximos.

Por isso, é muito importante que existam regras e procedimentos bem definidos para determinar como será feita a sucessão do negócio.

E isso envolve não só a porcentagem de ações que chegará aos herdeiros, como também o papel que eles devem exercer na organização.

Muitas vezes, pode ser esperado que um filho ou neto de um fundador assuma o papel do seu antecessor, mas nem sempre ele terá interesse pessoal no negócio, preferindo deixar a gestão nas mãos de outros e seguir apenas como sócio.

Portanto, é preciso determinar regras para a sucessão e, preferencialmente, realizar esse processo enquanto a geração que “passa o bastão” ainda está presente.

3. Capacitação de herdeiros

Habilidade gerencial é algo que se aprende estudando administração e, por mais que o talento natural tenha o seu valor, o fator genético não é o mais importante aqui.

Não se deve esperar que os herdeiros de um negócio herdem também as capacidades dos seus antecessores.

É crucial que exista uma preparação para as gerações que vão assumir a empresa em breve, mesmo que eles atuem apenas como sócios, sem interferir diretamente na gestão.

Para os que almejam trabalhar dentro da empresa, isso é ainda mais importante.

Se o primeiro emprego do herdeiro for assumir as mesmas responsabilidades que o atual CEO, que já acumula anos de experiência e passou por muito até chegar lá, as chances de fracasso são altas.

A administração de uma empresa nunca deve ser aristocrática. Para chegar à liderança, é importante que o herdeiro demonstre a sua capacidade técnica em outros níveis operacionais e construa uma carreira na empresa familiar.

4. Profissionalização da gestão

A profissionalização da gestão não é um desafio exclusivo de empresas familiares, mas é inegável que quando negócios e família se misturam, a gestão tende a ser mais desorganizada.

Mais uma vez, a dica aqui é estabelecer a governança corporativa para determinar o regimento interno da empresa, o que evitará o amadorismo na gestão.

Além disso, é preciso considerar a possibilidade de que pessoas externas ao círculo familiar assumam papéis na gestão. Para ter os melhores resultados, uma empresa precisa dos melhores profissionais.

E seria uma tremenda coincidência que todos eles sejam primos e irmãos.

5. Disputas entre herdeiros

Nem sempre a relação entre os herdeiros de uma empresa é ordeira.

E algumas vezes, ela pode se tornar conflituosa justamente pela herança e pelas visões diferentes sobre os direitos de cada um sobre ela.

Disputas acontecem dentro de qualquer família, mas é preciso estabelecer mecanismos para evitar que esses confrontos transbordem para o profissional e coloquem em risco o futuro do negócio.

Além de estabelecer regras claras que não deixem dúvidas sobre o regimento interno da empresa, é recomendável trabalhar esse relacionamento no nível pessoal, com reuniões amistosas em eventos familiares e, em alguns casos, terapia.

6. Atração de profissionais de alto nível

O perfil de empresa familiar, muitas vezes, espanta profissionais muito qualificados, que terão dificuldades de enxergar um potencial de crescimento em uma empresa em que os membros da família são privilegiados pelo sangue, e não pelo mérito.

Para minimizar esse problema, mais uma vez vale a pena estabelecer uma governança corporativa transparente que não deixe dúvidas para quem é de fora da família sobre a justiça dentro da empresa.

Outra medida interessante é remunerar e recompensar os profissionais que são de fora da família de acordo com as suas conquistas, considerando, inclusive, oferecer ações nas empresas para os melhores.

7. Inovação do modelo de negócios

Por fim, empresas familiares podem ter uma resistência maior à mudança. Em meio ao conflito de gerações, pode ser que os mais velhos tenham mais poder de argumentação e segurem a inovação na empresa.

Para superar esse tipo de desafio, é interessante estabelecer uma cultura de inovação e sempre experimentar novas possibilidades, com abertura para tecnologias disruptivas e modelos de negócios que quebram tradições.

E agora que você já conhece alguns dos principais desafios da gestão de empresa familiar, que tal assinar a nossa newsletter para acompanhar mais conteúdos sobre gestão de negócios e tecnologia?

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