Tecnologia 3D desperta dúvidas no setor de Construção Civil

Impressora que promete imprimir casas inteiras em apenas 24h ainda é controversa, mas tecnologia BIM é considerada um caminho sem volta

 Imagine uma casa inteira – de dois pavimentos e cerca de 80 m² – sendo construída em apenas 24 horas. Essa é uma das propostas da impressora 3D desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Se transformada em uma tecnologia de larga escala, a impressora transformaria o setor nos próximos anos. Quais seriam, então, seus impactos reais na construção civil, para além de experimentos comuns à área tecnológica?

Para Petrus Evangelista, gestor do Segmento de Construção Civil da TOTVS, ainda é preciso responder a muitas perguntas antes que esses equipamentos se tornem realmente viáveis no mercado. A principal é o custo e a preparação da equipe para utilização da impressora 3D. A própria instalação do equipamento pode ser um desafio dado a precisão do equipamento e o terreno a ser construído.

O sistema é feito através de criação de contornos feitos de material de secagem mais rápida e depois injeção de concreto nos vãos. Outro grande desafio é a durabilidade das matérias de secagem mais rápida quando expostos ao tempo.

Se no caso da impressão 3D o desafio ainda é descobrir materiais que sejam resistentes ao tempo e que deem a cobertura necessária ao formato, por outro lado, a tecnologia tridimensional permitirá, em breve, acompanhar todo o ciclo de vida de um empreendimento imobiliário.

Também chamado de Building Information Modeling (BIM), a ideia é que os modelos 3D estejam presentes desde o orçamento, ao planejamento, execução e finalização de uma obra. “Tudo começa no software CAD, que já faz uma planta tridimensional do modelo do empreendimento”, explica Evangelista.

A tecnologia está evoluindo para gerar informação a partir de dados. Ao importar quantidades do modelo, por exemplo, o programa conseguirá estipular o orçamento da obra pegando o volume das composições de acordo com as estruturas definidas no 3D e associando às matérias existentes e seus respectivos preços. No caso do planejamento, será possível fazer um salto para o 4D inserindo a dimensão tempo.  Isso quer dizer que será possível visualizar como a construção evolui ao longo de uma linha do tempo, fazendo simulações para as fases de execução. “Temos clientes usando BIM para planejar onde vão ficar as casas de máquinas, ou os armazéns para economizar combustível e otimizar a entrega de materiais,” conta o gestor do Segmento de Construção Civil da TOTVS.

Após a execução da obra, também será possível monitorar o dia a dia do empreendimento. Um shopping que tenha sido construído no modelo 3D, poderá associar-se a um sistema de manutenção que indique onde passa a fiação elétrica ou quando molhar as plantas, etc.

“O BIM é uma tendência sem volta. Além de possibilitar que mais pessoas trabalhem mais rápido no projeto, a tecnologia gera uma colaboração maior”, aposta Evangelista.

 

 

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